Seja solidário. Nestas férias, dê sangue!

Margarete Cardoso
As transfusões sanguíneas salvam milhares de vidas a cada ano1. Por isso, doar sangue é um ato de solidariedade. O sangue é um tecido humano e um recurso precioso e escasso. Em Portugal, a disponibilidade de componentes sanguíneos depende exclusivamente da dádiva voluntária e não remunerada. 

Neste artigo, vamos perceber melhor porque é tão importante doar sangue e o que podemos fazer para nos tornarmos dadores de sangue.

Aproveite o período das férias e seja solidário: dê sangue! 

Doar Sangue: Um ato de solidariedade
A transfusão de sangue é uma terapêutica de uso comum nas instituições hospitalares. Apesar de todos os esforços feitos nos últimos anos, não foi possível, até hoje, substituir esta terapêutica, devido à especificidade de atuação de alguns dos componentes e à semivida curta, eficácia e toxicidade inerente a alguns dos seus substitutos.

Por isso, os dadores são fundamentais2. Não há sangue sem dadores e, na ausência de componentes sanguíneos artificiais, não há nenhuma alternativa ao sangue de dador2. Assim sendo, a dádiva de sangue é um ato de solidariedade. 

Assegurar um fornecimento de sangue adequado requer a manutenção de um rácio equilibrado entre as necessidades dos hospitais de produtos sanguíneos e o número de dádivas2. Se, por um lado, a participação da população na dádiva de sangue é fundamental para a manutenção das reservas de sangue (de modo a evitar que a necessidade de sangue seja maior que a reposição do mesmo), por outro, também deve-se ter em conta uma maior sensibilização por parte dos serviços utilizadores no momento da prescrição dos pedidos de transfusão2

Angariar e reter dadores: um dos maiores desafios do Serviço de Sangue
Como já vimos, a dádiva de sangue depende do dador voluntário1. Tal facto transforma um ato voluntário numa necessidade social que precisa de ser promovida para fazer face às necessidades3. O recrutamento de novos dadores e a retenção dos dadores é um dos maiores desafios que os Serviços de Sangue enfrentam, estando a ganhar cada vez mais importância4,5

A angariação e a manutenção de dadores são atividades chave para todos os Serviços de Sangue em todo o mundo, tendo como objetivo estabelecer um “relacionamento para a vida” entre o dador e o Serviço de Sangue6, o que significa transformar a primeira dádiva em dádivas recorrentes, ou seja, fidelizar o dador7

Os dadores regulares têm vantagens sobre os dadores de 1.ª vez e sobre os irregulares: oferecem um suprimento de sangue estável e seguro (já que apresentam consistentemente uma menor incidência de inaptidão serológica), a garantia de componentes sanguíneos com maior segurança para o recetor, uma redução do custo da colheita (apresentam consistentemente uma menor inaptidão serológica, diminuindo o número de exames laboratoriais que são necessários efetuar) e contribuem para a redução de custos associados ao recrutamento de novos dadores1,8-10.  

Portugal integra o restrito grupo de países que dispõem de sistemas modernos de abastecimento de sangue doado por dadores voluntários e não remunerados11

Ainda existem muitos mitos à volta do sangue e da dádiva, pelo que as estratégias de recrutamento devem incluir informação detalhada sobre o processo no sentido de diminuir receios, bem como desfazer mitos associados à dádiva de sangue12,13

Ser dador de sangue torna-se um aspeto importante da identidade da pessoa14 e é algo que se constrói ao longo do tempo, razão pela qual o primeiro e mais importante passo é que a dádiva de sangue se torne um hábito e um comportamento9. Está no poder de cada um a possibilidade de dar sangue e de se sentirem identificados emocionalmente e cognitivamente com este tipo de ajuda15

Como tornar-se dador de sangue
Tornar-se dador de sangue não é um quebra-cabeças. Mas é provável que tenha algumas dúvidas que gostaria de ver esclarecidas.  

Por isso, se estiver a ponderar ser dador de sangue, aceda ao site do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST). Aqui poderá encontrar respostas a todas as suas questões16

Encontre também aqui informação útil acerca dos critérios gerais para ser dador de sangue, dos cuidados a ter antes e após a dádiva de sangue, dos direitos e deveres dos dadores de sangue17

De qualquer forma, informe-se no Hospital da sua área de residência se o Serviço de Sangue faz recolhas de sangue ou então entre em contacto com o IPST através do site https://www.ipst.pt.

Sobre a imagem:
Monumento de homenagem do município de Reguengos de Monsaraz aos dadores de sangue.
Inaugurado a 9 de junho de 2013 pelo Dr. José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, pelo Professor Hélder Trindade, presidente do Conselho Diretivo do IPST e na presença de Domingos Simão, presidente da Gota – União de Dadores de Sangue de Corval – Alentejo.

Imagem de HealthUp

 
Bibliografia:

  1. Araújo, F. M. R. de. (2008). Doadores de sangue de hemocentro público do Recife: Percepção da doação e comportamento de retorno (Master's thesis, Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira). Arquivo do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira. 
  2. Cardoso, R. M. P. de. F. (2013). A perceção do dador de sangue face à dádiva de sangue e ao estatuto do dador de sangue (Master's thesis, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa). Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa. 
  3. Martín-Santana, J. D., & Beerli-Palacio, A. (2008). Potential donor segregation to promote blood donation. Transfusion and Apheresis Science, 38(2), 133-140. 
  4. Misje, A. H., Bosnes, V., & Heier, H. E. (2010). Gender differences in presentation rates, deferrals and return behaviour among Norwegian blood donors. Vox Sanguinis, 98(3 Pt 1), 241-248.  
  5. Masser, B. M., White, K. M., Hyde, M. K., Terry, D. J., & Robinson, N. G. (2009). Predicting blood donation intentions and behavior among Australian blood donors: testing an extended theory of planned behavior model. Transfusion, 49(2), 320-329. 
  6. Domaine. (2010). Manual de gestão de dadores. Wim de Kort. 
  7. Ludwig, S. T., & Rodrigues, A. C. de. M. (2005). Doação de sangue: uma visão de marketing. Cadernos de Saúde Pública, 21(3), 932-939.
  8. Araújo, F. M. R. de., Feliciano, K. V. de. O., & Mendes, M. F. de. M. (2011). Aceitabilidade de doadores de sangue no hemocentro público do Recife, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 16(12), 4823-4832. 
  9. Ringwald, J., Zimmermann, R., & Eckstein, R. (2010). Keys to open the door for blood donors to return. Transfusion Medicine Reviews, 24(4), 295-304.
  10. Araújo, F. M. R. de., Feliciano, K. V. de. O., Mendes, M. F. de. M., & Figueiroa, J. N. (2010). Doadores de sangue de primeira vez e comportamento de retorno no hemocentro público do Recife. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, 32(5), 384-390. 
  11. Olim, G. de. (2010). O Sistema Português do Sangue. Revista de Medicina Transfusional AB0, 42, 9-14. 
  12. Hinrichs, A., Picker, S. M., Schneider, A., Lefering, R., Neugebauer, E. A., & Gathof, B. S. (2008). Effect of blood donation on well-being of blood donors. Transfusion Medicine, 18(1), 40-48.
  13. Nilsson, S. B., & Sojka, P. (2003). The blood-donation experience: perceived physical, psychological and social impact of blood donation on the donor. Vox sanguinis, 84(2): 120-128.
  14. Hupfer, M. E., Taylor, D. W., & Letwin, J. A. (2005). Understanding Canadian student motivations and beliefs about giving blood. Transfusion, 45(2), 149-161.
  15. Suárez, I. M. B., Fernández-Montoya, A., Fernández, A. R., López-Berrio, A., & Cillero-Peñuela, M. (2004). How regular blood donos explain their behavior. Transfusion, 44(10), 1441-1446.
  16. Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST). (2020). Perguntas Frequentes - Sangue
  17. Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST). (2020). Dador de Sangue
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