Mãos e o perigo de transmissão de microrganismos

Margarete Cardoso
Higiene das mãos nos cuidados de saúde
Todos os dias morrem pessoas em todo o mundo devido a infeções contraídas enquanto recebiam cuidados de saúde, que podiam ter sido evitadas. As mãos são a principal via de transmissão de microrganismos durante a prestação de cuidados de saúde.

A higiene das mãos, devidamente associada às restantes medidas que integram as precauções básicas de controlo de infeção, é considerada uma das mais importantes para evitar a transmissão de microrganismos prejudiciais e prevenir as infeções associadas aos cuidados prestados aos utentes1,2.

As técnicas de higiene das mãos compreendem a lavagem com água e sabão e por fricção antissética.

As medidas gerais de higiene das mãos incluem: remover adornos, como relógios, pulseiras e anéis (incluindo alianças); proteger lesões com pensos impermeáveis; usar mangas curtas, enrolar ou dobrar as mangas da farda para cima; usar as unhas curtas, limpas e o mais natural possível1-6.

Não é recomendado efetuar de forma simultânea ou sequencial a lavagem das mãos e a fricção com solução antissética de base alcoólica1,2,4-6, devendo cada uma efetuar-se em situações específicas.

O médico e Diretor do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências a Antimicrobianos (PPCIRA) da DGS, José Artur Paiva, por altura do Dia da Higiene das Mãos em 2021, referiu que se verificou um crescimento de 76 % para 83 % de adesão ao cumprimento total do procedimento de higiene das mãos nos profissionais de saúde7.

Esta é uma prática que deve continuar a ganhar cada vez mais adesão por parte dos profissionais de saúde. Porém, qualquer pessoa que esteja envolvida em cuidados de saúde deve preocupar-se com a higiene das mãos e ser capaz de a realizar corretamente e na altura certa.

Crianças e jovens como agentes de mudança 
A higiene das mãos deve extravasar para fora das unidades de saúde, dado tratar-se de uma responsabilidade coletiva, constituindo-se um legado que deve ser transmitida às gerações mais novas.

Habitualmente, as campanhas realizadas no âmbito do Dia Mundial das Mãos, que se celebra anualmente a 5 de maio, são dirigidas aos profissionais da saúde e dos doentes, mas, em 2021, o foco da campanha "Higiene das mãos: segundos que salvam vidas" foram as crianças e os jovens como agentes de mudança de comportamentos saudáveis8.

Aproveitando o legado positivo da pandemia, a finalidade foi tornar a higiene das mãos uma medida a manter para além da pandemia e uma medida a manter na comunidade, visando a prevenção da doença, a promoção da saúde e a literacia dos cidadãos8.

As crianças e os jovens aprendem facilmente e podem ter um papel crucial na divulgação pela sua família e amigos, da importância de realizar a higiene das mãos corretamente8

Neste âmbito, em 2021, o Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), da Direção-Geral da Saúde, em colaboração com a Direção-Geral da Educação, realizou um estudo sobre os hábitos de higiene das mãos dos alunos do 2.º e do 3.º ciclos, tendo verificado que os inquiridos higienizavam as mãos ao chegar a casa, quando as mãos estavam visivelmente sujas, após usar a casa de banho e antes e após as refeições9. A maioria dos alunos também referiram que higienizavam as mãos entre seis e dez vezes por dia, que conheciam bem a técnica de higienização das mãos e tinham conhecimento de que esta atitude evita infeções9.

Higiene das mãos previne infeções em geral
Apesar de higiene das mãos ter ganho destaque com a COVID-19, é uma medida importante para prevenir as infeções respiratórias, como a gripe, outras infeções transmitidas por via aérea, diarreias infecciosas, entre outras8.

A redução das infeções na comunidade tem como consequência a redução do consumo de antibióticos, o que contribui para controlar as resistências das bactérias a estes medicamentos, mantendo-os eficazes para o tratamento das infeções graves8.

Ao evitar infeções e reduzindo a transmissão de microrganismos de pessoa para pessoa, a higiene das mãos é capaz de salvar 8 milhões de vidas por ano, a nível mundial. É, por isso, uma medida do presente, mas também do futuro, que previne a doença e promove a saúde dos cidadãos8.

É uma medida que não tem nenhuma contraindicação, demora pouco tempo e tem um efeito protetor individual e coletivo7.

Não é extraordinário como uma medida tão simples pode fazer a diferença na vida de todos nós?

 Bibliografia:

  1. Norma n.º 007/2019 – Higiene das mãos nas unidades de saúde. (2019). Lisboa, Portugal: Direção-Geral da Saúde.
  2. World Alliance for Patient Safety. (2009). WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care. First Global Patient Safety Challenge: Clean Care is Safer Care. OMS. Genebra.
  3. Norma n.º 029/2012 - Precauções básicas do controlo da infeção (PBCI) (2013). Lisboa, Portugal: Direção-Geral da Saúde.
  4. Royal College of Physicians of Ireland Clinical Advisory Group on Healthcare Associated Infections in association with HSE Quality Improvement Division. (2015). Guidelines for hand hygiene in Irish healthcare settings - Update of 2005 guidelines.
  5. PIDAC (Provincial Infectious Diseases Advisory Committee). (2014). Best Practices of Hand Hygiene in All Health Care Settings. (4.ª edição).
  6. World Alliance for Patient Safety. (2012). Hand Hygiene in Outpatient and Home-based Care and Long-term Care Facilities. OMS. Genebra.
  7. Serviço Nacional de Saúde. (2021, maio 05). Dia da Higiene das Mãos | 5 de maio.
  8. Direção-Geral da Saúde, Direção-Geral da Educação e Projeto e-Bug. (2021). Dia Mundial da Higiene das Mãos - 5 de maio de 2021.
  9. Hotelaria & Saúde. (2022). Infeções hospitalares diminuíram entre 2015 e 2020.
Formação e-learning

A formação em saúde tem uma nova cara

Quando aumenta o seu conhecimento, está a elevar o seu potencial de desempenho. Comece hoje a aprender!
Criado com